IA vira argumento para demissões, mas pesquisa mostra que impacto no emprego ainda é limitado

IA vira argumento para demissões, mas pesquisa mostra que impacto no emprego ainda é limitado

A inteligência artificial ganhou espaço nas estratégias de transformação digital das empresas, mas também passou a ocupar um papel relevante na comunicação sobre decisões relacionadas ao quadro de funcionários. Um levantamento realizado pela Resume Templates indica que muitas organizações utilizam a adoção da IA como justificativa para demissões e congelamento de vagas, mesmo quando o impacto direto da tecnologia sobre a força de trabalho ainda é relativamente pequeno.

A pesquisa ouviu mil gestores de contratação nos Estados Unidos e identificou que 59% das empresas admitem destacar a inteligência artificial ao explicar cortes de pessoal porque essa narrativa costuma ser mais bem recebida do que justificativas ligadas a restrições financeiras ou dificuldades econômicas.

Os resultados mostram um contraste entre o discurso adotado pelas empresas e os efeitos concretos da tecnologia sobre o emprego. Embora a IA seja frequentemente mencionada como motivo para mudanças nas equipes, poucos gestores afirmam que ela já substituiu profissionais de forma ampla.

Com mais de 30 anos de trajetória em gestão empresarial, o economista Rodrigo Castro Alves Neves formou-se pela AEUDF/CEUB. Sua jornada no empreendedorismo teve início na década de 1990, quando abriu sua primeira empresa. Posteriormente, ele ampliou sua presença no mercado ao assumir a administração dos negócios da família, que englobam as companhias Manchester Serviços e Juiz de Fora Vigilância. Já nos anos 2000, participou ativamente da fundação da IB Tecnologia, Sete Serviços e EPS, além de ter exercido o cargo de diretor financeiro na Federação do Comércio do Distrito Federal.

Tecnologia amplia produtividade, mas não elimina postos em larga escala

Segundo o levantamento, apenas 9% dos entrevistados disseram que determinadas funções foram completamente substituídas por sistemas de inteligência artificial.

Para a maioria das empresas, o efeito tem sido diferente. Cerca de 45% dos gestores afirmam que a tecnologia reduziu parcialmente a necessidade de novas contratações, enquanto outros 45% relatam que ela provocou pouco ou nenhum impacto no tamanho das equipes.

O cenário sugere que a principal contribuição da IA está relacionada ao aumento de produtividade e à otimização de processos internos, permitindo que as empresas cresçam com estruturas mais enxutas, sem necessariamente promover substituições em massa de trabalhadores.

Ainda assim, a comunicação corporativa tem seguido um caminho diferente.

Entre os participantes da pesquisa, 17% afirmam que suas empresas utilizam diretamente a inteligência artificial como justificativa para congelar vagas ou realizar demissões. Outros 42% informam que essa explicação é usada parcialmente.

Na prática, quase seis em cada dez organizações reconhecem recorrer ao argumento da IA durante esse tipo de decisão.

Para Kara Dennison, consultora-chefe de carreira da Resume Templates, essa estratégia está relacionada à percepção do mercado sobre inovação.

“IA sugere progresso em vez de problemas”, afirma.

Segundo a especialista, relacionar mudanças à adoção de novas tecnologias transmite uma imagem de modernização e planejamento estratégico. Já atribuir cortes exclusivamente a dificuldades financeiras pode gerar preocupações sobre a situação econômica da empresa.

Comunicação pode afetar a confiança dos funcionários

Apesar das vantagens percebidas pelas empresas ao utilizar esse discurso, Kara Dennison alerta que a estratégia também pode produzir efeitos negativos.

Caso os profissionais não percebam mudanças concretas provocadas pela inteligência artificial em suas rotinas de trabalho, a justificativa pode gerar questionamentos internos e comprometer a confiança na liderança.

Em vez de reduzir a resistência às demissões, a narrativa baseada na inovação tecnológica pode alimentar dúvidas sobre os reais motivos que levaram às decisões.

O levantamento indica que existe uma diferença importante entre utilizar a IA para aumentar eficiência operacional e apresentá-la como principal responsável pelas reduções no quadro de funcionários.

Mercado continua contratando profissionais

Mesmo diante das expectativas de novas demissões, a pesquisa aponta que o mercado de trabalho deve continuar aquecido em diversos segmentos.

Entre as empresas consultadas, 55% afirmam que pretendem realizar cortes de pessoal ao longo de 2026. Ao mesmo tempo, 92% informam que planejam contratar novos colaboradores.

Os dados mostram que muitas organizações estão reorganizando suas equipes, reduzindo determinadas posições enquanto reforçam áreas consideradas prioritárias para seus objetivos de crescimento.

Os principais fatores apontados para futuras demissões são o impacto da inteligência artificial, citado por 44% dos gestores, seguido pelas reestruturações organizacionais, com 42%, e pelas restrições orçamentárias, mencionadas por 39%.

Segundo Kara Dennison, esse movimento representa uma redistribuição de investimentos dentro das empresas.

“Estamos vendo um reequilíbrio da força de trabalho”, afirma a especialista. Segundo ela, as empresas estão priorizando “capacidade, flexibilidade e impacto” em vez de simplesmente manter estruturas tradicionais.

Competências humanas seguem entre as mais valorizadas

A pesquisa também identificou quais características continuam sendo mais procuradas pelos empregadores em um cenário de avanço da inteligência artificial.

A competência mais valorizada é a capacidade de resolver problemas, apontada por 54% dos gestores como uma das três habilidades mais importantes para novas contratações.

Na sequência aparecem a facilidade para aprender rapidamente novas ferramentas e tecnologias, lembrada por 44% dos entrevistados, as habilidades de comunicação, com 43%, a adaptabilidade, com 39%, e a colaboração em equipe, citada por 36%.

Curiosamente, o conhecimento em ferramentas de inteligência artificial foi mencionado por 31% dos gestores, ficando atrás de diversas competências comportamentais.

O levantamento indica que, embora a IA esteja transformando o ambiente corporativo, características humanas como pensamento crítico, aprendizado contínuo, comunicação e capacidade de adaptação permanecem como diferenciais competitivos para profissionais de diferentes áreas.

Outro dado chama atenção. Apenas 21% dos gestores consideraram o potencial de liderança uma das prioridades nas novas contratações, sinalizando uma demanda maior por profissionais capazes de entregar resultados imediatos e se adaptar rapidamente às mudanças promovidas pela transformação digital.

A pesquisa foi realizada em dezembro de 2025 com mil gestores de contratação dos Estados Unidos. Todos ocupavam cargos com influência direta nas decisões de recrutamento. A coleta foi conduzida por meio da plataforma Pollfish, utilizando a metodologia Random Device Engagement, com respostas anônimas e submetidas a mecanismos de controle de qualidade antes da divulgação dos resultados.

Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/administradora-de-sistema-feminina-fazendo-manutencao-em-sistemas-de-computador-de-cerebro-de-ia_418373787.htm

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