Consórcio de Inovação em Saúde: 5G será usado para exames de imagem remotos

Consórcio de Inovação em Saúde

Consórcio de Inovação em Saúde é uma parceria entre o InovaHC, Insper e Hospital Alemão Oswaldo Cruz

O 5G foi escolhido como a primeira tecnologia para ser explorada pelo Consórcio de Inovação em Saúde, uma parceria entre o InovaHC, o núcleo de inovação do Hospital das Clínicas (HC), Insper e o Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Na semana passada, ocorreu a formalização da parceria, que terá como projeto piloto a realização de exames de ressonância e tomografia operados à distância.

Consórcio de Inovação em Saúde

Além disso, segundo Marco Rego, diretor do InovaHC:

“Sabemos que existem áreas no Brasil em que há equipamentos para diagnóstico que funcionam só uma parte do dia porque não existe equipe para operar. Essa operação à distância poderia transformar isso.”

Contudo, ele destacou também que o 5G não necessita de cabeamento e instalações onerosas dentro do hospital para a realização do exame, apenas um equipamento portátil que se conecte à rede.

Parceria

Já a parceria pretende integrar as experiências de um hospital público, um hospital privado e das áreas de engenharia e negócios de uma instituição de ensino para o desenvolvimento de soluções tecnológicas que resolvam problemas da saúde. O projeto terá seis áreas estratégicas. São elas:

  • capacitação e pesquisa em gestão hospitalar;
  • treinamento para o uso de novas ferramentas;
  • conectividade;
  • economia da saúde;
  • inteligência de dados;
  • e bioengenharia.

5G

Para a primeira ação, o HC vai aproveitar sua experiência com o OpenCare 5G, seu projeto de rede privativa 5G, que teve como prova de conceito a realização de exame de ultrassom à distância. Todavia, o consórcio terá a Claro como parceira, porém, a rede privativa poderá ser usada onde não houver rede pública disponível. Ela possui arquitetura aberta OpenRAN, em frequência de 3,5 GHz, com banda de 100 MHz.

Segundo Carolina da Costa, diretora-executiva de educação, pesquisa, inovação e saúde digital do Hospital Oswaldo Cruz, no evento de formalização do consórcio:

“Tudo é público aqui, não queremos ganhar. É oferecer isso para a sociedade. É muito importante reforçar toda a parte de conectividade que o 5G traz, conseguimos levar para regiões distantes.”

Modelo de negócio

Por outro lado, o Insper vai ajudar a desenvolver a área de engenharia do projeto e elaborar um modelo de negócio eficiente. A ideia é colocar em funcionamento até o fim do primeiro semestre de 2023 e apresentar os resultados até o fim deste ano. O consórcio está em conversa com cidades do interior de São Paulo para a participação no projeto piloto, que deve se expandir para mais longe futuramente.

Porém, Bego ressaltou o seguinte:

 “Nós podemos fazer tecnologicamente, é possível, já sabemos. Mas isso é sustentável? Vale a pena também na área privada? A ideia é tratar isso agora como um projeto de impacto e não só um projeto tecnológico.”

Mas, se os resultados forem positivos, a intenção é ampliar o uso da tecnologia para outras cidades por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Todo conhecimento gerado será de domínio público. Entre outras questões de economia da saúde, o projeto piloto também vai avaliar qual será a forma de implementação mais eficiente. E o 4G não está fora de cogitação.

“Veremos isso agora, até quanto precisamos do 5G, de fato. Ou se dá para rodar nas duas tecnologias. Não sei se eu tenho os ganhos adicionais 5G. Essa é a ideia até para mostrar economicidade das duas opções. Que vale a pena, temos uma boa ideia que sim, mas vale a pena para onde? Será que aqui em São Paulo ou só para uma cidade mais distante? Ou não, só inverso? É isso que queremos testar agora.”

OpenCare 5G

Por fim, em relação à primeira fase do OpenCare 5G, que teve início em setembro de 2022, Bego diz que houve sucesso na questão da tecnologia. A latência baixa e a velocidade necessárias para a realização do exame de ultrassom à distância foram alcançadas, o que era o objetivo inicial do projeto do HC.

*Foto: Reprodução/Unsplash (Marcel Scholte)

Outras postagens

Postagens relacionadas

Últimas postagens

Lei que restringe celulares nas escolas já foi adotada por 92% das unidades, mas desafios ainda persistem

Pesquisa nacional aponta que resistência dos estudantes, falta de espaço para guardar aparelhos e dificuldade de fiscalização ainda dificultam a aplicação integral da medida

Uso de inteligência artificial no trabalho cresce no Brasil, enquanto diminui receio de substituição, aponta Datafolha

Pesquisa mostra aumento da adoção de ferramentas de IA em atividades profissionais e redução do medo de perder o emprego para a tecnologia

Empreendedor transforma cabine acústica criada na pandemia em negócio que rende cerca de R$ 15 mil por mês

Solução desenvolvida para gravações remotas virou produto comercializado em São Paulo e já atende locutores, dubladores, músicos e outros profissionais da voz