Durante os primeiros anos da popularização dos smartphones, cada lançamento costumava marcar uma ruptura clara. O avanço era visível, quase imediato: telas sensíveis ao toque substituíram teclados físicos, lojas de aplicativos surgiram como novo ecossistema digital e câmeras ganharam qualidade suficiente para aposentar equipamentos dedicados em muitos casos.
Esse cenário mudou. A indústria passou a operar em ciclos mais incrementais, com ganhos menos evidentes no dia a dia. O Galaxy S26 Ultra chega ao mercado brasileiro dentro desse contexto, lançado em fevereiro com preço inicial de R$ 11.499. O modelo tenta se diferenciar ao apostar em soluções específicas de hardware, ainda que o conjunto geral reflita a maturidade do setor.
Tela com privacidade integrada
O principal destaque do aparelho está na chamada tela privativa. Trata-se de um sistema incorporado ao display que reduz o ângulo de visão lateral quando ativado. Na prática, quem observa o celular de lado enxerga apenas uma superfície escurecida, enquanto o usuário mantém a visualização normal.
A proposta dialoga com um hábito já conhecido de quem utilizava películas físicas com esse objetivo. A diferença está na execução. Em vez de um filtro fixo que compromete a experiência geral, o recurso atua diretamente na emissão de luz dos pixels, direcionando a imagem para quem está à frente do dispositivo.
O funcionamento pode ser ajustado. É possível delimitar apenas uma parte da tela para ocultação, o que permite proteger informações específicas, como notificações ou senhas, mantendo o restante visível. Há ainda um modo mais restritivo, que preserva o bloqueio mesmo em ambientes escuros, ainda que com leve impacto na qualidade de exibição.
Estabilização de vídeo com bloqueio de orientação
Na câmera, uma das novidades é o chamado bloqueio horizontal durante a gravação de vídeos. Com a função ativada, o sistema tenta manter o enquadramento estável mesmo quando o aparelho é girado, inclusive em posições invertidas.
Nos testes realizados, o recurso conseguiu sustentar a orientação da imagem na maior parte do tempo, embora com pequenas oscilações perceptíveis. Há uma limitação técnica importante: a função não está disponível em gravações em 4K, ficando restrita a resoluções de até 1440p.
Ainda no campo do hardware, o modelo abandona o uso de titânio presente na geração anterior e retorna ao alumínio. A decisão está ligada ao equilíbrio de peso, considerando a inclusão de novos componentes e funcionalidades.
Inteligência artificial mais presente no sistema
As mudanças de software se concentram na interface One UI 8.5, com maior integração de ferramentas de inteligência artificial. A assistente virtual Bixby ganhou novas capacidades operacionais dentro do próprio sistema, podendo executar tarefas como abrir aplicativos, alterar configurações ou utilizar funções nativas.
Há, porém, restrições relevantes. Aplicativos de terceiros, como mensageiros e redes sociais, não oferecem suporte para esse tipo de integração. Na prática, isso impede ações como envio de mensagens ou publicações automatizadas. Segundo a própria assistente, a limitação decorre da ausência de permissões específicas por parte dessas plataformas.
A edição de imagens também recebeu reforços. O sistema permite inserir ou remover elementos diretamente nas fotos a partir de comandos de texto. Em alguns casos, é possível fazer ajustes estéticos simples, como alterar acessórios ou corrigir detalhes visuais, sem recorrer a aplicativos externos.
Limites nas edições e respostas do sistema
Apesar da proposta ampla, o recurso apresenta restrições claras. Quando considera uma solicitação inadequada ou fora de escopo, o sistema retorna a mensagem padrão de impossibilidade de edição. Esse bloqueio impede manipulações mais sensíveis, como alterações de roupas ou interações entre pessoas em imagens.
O filtro, no entanto, também alcança pedidos mais simples. Mudanças de expressão facial ou transformações subjetivas frequentemente não são processadas. Na prática, a ferramenta tende a funcionar melhor em intervenções pontuais, como inclusão de objetos ou elementos gráficos.
Carregamento rápido e acessórios
Outro ponto testado foi o carregador de 60 W. A promessa de atingir 75% da bateria em meia hora se aproximou do desempenho observado. O aparelho saiu de 0% para 20% em cerca de oito minutos, alcançando 60% após 25 minutos de carga.
A velocidade diminui progressivamente após os 75%, estratégia comum para preservar a vida útil da bateria. Ainda assim, a carga completa foi atingida em aproximadamente uma hora.
A fabricante também apresentou os Galaxy Buds4. Os fones se destacam pelo encaixe estável, inclusive em situações de movimento mais intenso. O cancelamento de ruído ativo cumpre a proposta, embora sem se sobressair frente a concorrentes diretos.
Entre os recursos adicionais, há um sistema que detecta sons altos, como sirenes, e emite alertas ao usuário. A conexão automática com o celular, prevista ao abrir o estojo próximo ao aparelho, não funcionou de forma consistente em todos os testes, exigindo pareamento manual em algumas situações.
Avanços pontuais em um cenário consolidado
No conjunto, o Galaxy S26 Ultra entrega desempenho e funcionalidades esperadas de um modelo premium. As novidades, embora criativas, aparecem de forma pontual e não alteram de maneira significativa a experiência cotidiana.
O aparelho reforça uma tendência já consolidada no mercado. Em vez de transformações radicais, os lançamentos recentes se apoiam em ajustes finos e melhorias específicas, muitas vezes relevantes, mas menos perceptíveis no uso imediato.
Fonte: Folha de São Paulo
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