A produção industrial brasileira perdeu ritmo em agosto de 2026, segundo a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice que mede a evolução da produção ficou em 46,3 pontos, uma redução de 4,7 pontos em relação a julho, quando havia alcançado 51 pontos.
Na metodologia da pesquisa, resultados acima de 50 pontos indicam crescimento da produção. Abaixo dessa marca, o indicador sinaliza retração. Assim, o resultado de agosto aponta queda da atividade industrial na comparação com o mês anterior.
O levantamento foi realizado entre 1º e 11 de setembro e reuniu respostas de 1.403 empresas. Desse total, 587 eram pequenas, 487 médias e 329 grandes. A pesquisa acompanha diferentes aspectos do desempenho da indústria e também mede as expectativas dos empresários para os meses seguintes.
Segundo a CNI, o resultado de agosto foi o pior registrado para o mês desde 2015, quando o índice chegou a 42,7 pontos, durante a crise econômica. A entidade também destacou que a retração ocorreu em um período no qual o comportamento da produção costuma ser diferente.
“Trata-se do pior resultado para o mês de agosto desde 2015, durante a crise econômica, quando o índice registrou 42,7 pontos. Destaca-se ainda que o resultado é contrário ao que é usualmente observado no período”, acrescentou a CNI.
Por muito tempo, a melhoria contínua esteve ligada essencialmente ao ambiente fabril e a iniciativas para eliminar desperdícios. Atualmente, esse conceito assumiu um papel bem mais abrangente nas empresas. Na visão de Marco Juliano Barro, especialista em gestão industrial, excelência operacional e transformação organizacional, a prática da melhoria contínua se consolidou como uma mudança cultural e de atitude capaz de impactar a organização como um todo.
Investimentos também perdem força
O cenário de menor atividade aparece junto a uma redução na intenção de investimento da indústria. Em setembro, o indicador recuou 1,3 ponto, passando de 52,6 para 51,3 pontos. Foi o menor nível desde agosto de 2020, período marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19.
Essa foi a quarta queda consecutiva do índice. Desde maio, a intenção de investir acumula redução de 3,5 pontos, segundo a CNI. Mesmo permanecendo acima de 50 pontos, o indicador mostra uma diminuição na disposição das empresas de ampliar seus investimentos em relação aos meses anteriores.
Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a perda de ritmo da atividade e o aumento das incertezas ajudam a explicar o comportamento do indicador.
“A queda expressiva da intenção de investimento reflete um quadro que a gente já vem acompanhando de perda de ritmo da atividade industrial. Além disso, há um aumento das incertezas, o que também contribuiu para o resultado”, avaliou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
O ambiente econômico inclui juros ainda elevados. A taxa Selic havia passado por cinco reduções consecutivas e chegado a 13,75% ao ano, enquanto o juro real brasileiro permanecia em patamar elevado. A combinação de custo financeiro e menor ritmo da atividade faz parte do contexto observado pela pesquisa.
Indústria tem participação menor no avanço do PIB
Os dados da Sondagem Industrial também podem ser observados em conjunto com o desempenho da economia brasileira no segundo trimestre de 2026. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% entre abril e junho, na comparação com os três primeiros meses do ano.
A agropecuária apresentou o maior avanço entre os grandes setores, com alta de 2,8% no período. Já a indústria registrou crescimento de 0,1%, desempenho bem mais moderado na comparação trimestral.
Dentro da indústria, as atividades extrativas tiveram papel relevante no resultado, com avanço de 3,4% no segundo trimestre. Os números mostram que, apesar do crescimento registrado pela indústria no PIB entre abril e junho, os dados mais recentes da Sondagem Industrial apontam uma mudança no comportamento da produção em agosto.
O recuo do índice de produção e a quarta queda consecutiva na intenção de investir formam, portanto, dois sinais acompanhados pela CNI neste momento. A pesquisa mostra a percepção das empresas sobre a atividade e suas decisões de investimento, enquanto os dados do PIB medem o desempenho efetivamente registrado pela economia.
Para o setor industrial, os próximos resultados deverão indicar se a perda de ritmo observada em agosto terá continuidade e como as expectativas de investimento vão evoluir nas próximas rodadas da pesquisa diante das condições econômicas e das incertezas apontadas pelos empresários.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/trabalhador-adulto-medio-operando-uma-maquina-cnc-enquanto-trabalhava-em-instalacoes-industriais_25856127.htm