O avanço do 5G avançado (5G Standalone) e a popularização das redes privadas devem transformar profundamente a indústria brasileira entre 2025 e 2026. Segundo o relatório Ericsson Mobility Report 2024, o tráfego global de dados móveis deve crescer mais de 20% ao ano até 2030, impulsionado principalmente por aplicações industriais de alta demanda. Já a GSMA prevê que as conexões 5G na América Latina vão quadruplicar até 2026, acompanhando a adoção de IoT massiva e automação de baixa latência.
Nesse cenário, as redes privadas 5G — ambientes dedicados, ultraestáveis e altamente seguros — surgem como a peça central da Indústria 4.0, permitindo desde veículos autônomos em fábricas até sensores avançados no agronegócio.
Redes privadas: por que são diferentes e decisivas para operações críticas
Ao contrário das redes públicas, compartilhadas por milhares de usuários, as redes privadas 5G oferecem:
- Velocidade até 10 vezes maior, com banda dedicada.
- Latência abaixo de 10 ms, essencial para robôs, drones e sistemas de operação remota.
- Segurança reforçada, com criptografia fim a fim e isolamento da infraestrutura.
- Confiabilidade acima de 99,99%, vital para fábricas, plantas petroquímicas e mineração.
Um estudo da Deloitte aponta que empresas que adotam 5G privado no setor industrial podem registrar ganhos de produtividade entre 20% e 30%, além de redução de até 40% no tempo de inatividade operacional.
Setores que devem liderar a adoção até 2026
Relatórios de GSMA, IDC e ABI Research apontam que os setores brasileiros com maior propensão a investir em 5G privado são:
- Indústria de manufatura, com robôs colaborativos, AGVs e linhas de montagem integradas.
- Mineração, onde há demanda por operação remota em áreas de risco.
- Logística, com rastreamento avançado e pátios inteligentes.
- Agronegócio, que já testa drones autônomos, sensores 24/7 e monitoramento de solo e clima.
- Saúde, com aplicações críticas como telecirurgia e monitoramento em tempo real.
Desafios e oportunidades para o Brasil
Apesar da expansão, especialistas apontam desafios como custo inicial, falta de mão de obra qualificada e maturidade na integração entre TI e OT (tecnologia operacional). Porém, a própria Anatel prevê avanço rápido: até o fim de 2026, mais de 300 projetos de redes privadas devem estar ativos no país, entre pilotos, fases intermediárias e operações completas.
Ainda assim, o impacto econômico pode ser gigantesco. Estimativas da McKinsey indicam que a Indústria 4.0 pode adicionar até US$ 1 trilhão à economia global ao ano a partir de 2030 — e o 5G privado é um dos pilares desse crescimento.