Uma startup apoiada pelo Governo do Tocantins desenvolveu uma nova tecnologia voltada ao enfrentamento do mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, zika e chikungunya. A solução consiste em um dispositivo produzido por impressora 3D, capaz de atrair os insetos e contaminá-los com um fungo específico, estratégia que contribui para a redução da população do mosquito de forma controlada.
O equipamento funciona como uma armadilha inteligente. Ao ser atraído para o interior do dispositivo, o mosquito entra em contato com o fungo, que compromete seu ciclo de vida e diminui sua capacidade de reprodução. A proposta busca atuar diretamente sobre o vetor, sem recorrer ao uso intensivo de inseticidas químicos, alternativa que enfrenta limitações como resistência do mosquito e impactos ambientais.
Além do controle biológico, a tecnologia incorpora a coleta de dados ambientais. Sensores instalados no dispositivo permitem o monitoramento de informações como temperatura e umidade, fatores que influenciam a proliferação do Aedes aegypti. Esses dados podem auxiliar gestores públicos na tomada de decisões e no planejamento de ações de prevenção em saúde.
Testes iniciais e expansão do projeto
Os primeiros testes da tecnologia tiveram início no município de Paraíso do Tocantins. A escolha da cidade levou em consideração critérios técnicos e a necessidade de avaliar o desempenho do dispositivo em ambiente urbano real. De acordo com os responsáveis pelo projeto, os resultados iniciais são utilizados para ajustes no equipamento e na metodologia de uso.
A expectativa é ampliar a fase de testes para outras cidades do estado, como Palmas e Gurupi. A ampliação permitirá observar o comportamento da tecnologia em diferentes contextos climáticos e populacionais, além de gerar uma base de dados mais robusta para avaliação de impacto. O objetivo é validar a solução como ferramenta complementar às políticas públicas de combate às arboviroses.
O desenvolvimento do projeto conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins, a FAPT. O financiamento ocorre por meio do programa Centelha, iniciativa voltada ao incentivo de empreendimentos inovadores e ao fortalecimento do ecossistema de startups. O programa oferece recursos financeiros e apoio técnico para transformar ideias em soluções aplicáveis ao mercado e ao setor público.
O Centelha está com inscrições abertas até o dia 30 de janeiro. A chamada é direcionada a empreendedores que apresentam propostas inovadoras com potencial de impacto econômico e social. No caso da startup responsável pela armadilha 3D, o apoio foi decisivo para viabilizar o desenvolvimento do protótipo e a realização dos testes de campo.
O combate ao Aedes aegypti segue como um dos principais desafios da saúde pública no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, surtos de dengue e outras arboviroses continuam sendo registrados em diferentes regiões do país, exigindo estratégias diversificadas e integradas. Tecnologias que combinam inovação, sustentabilidade e monitoramento têm ganhado espaço nesse cenário.
A proposta desenvolvida no Tocantins se insere nesse contexto ao oferecer uma alternativa baseada em controle biológico e uso de dados. Especialistas apontam que soluções desse tipo podem atuar como complemento às ações tradicionais, como eliminação de criadouros e campanhas de conscientização da população.
Com a ampliação dos testes e a consolidação dos resultados, a expectativa é que a tecnologia possa ser adotada por municípios interessados em reforçar o combate ao mosquito. A utilização de dispositivos produzidos em impressora 3D também permite escalabilidade e adaptação conforme as necessidades locais, fator considerado estratégico para a aplicação em larga escala.
O uso de fungos entomopatogênicos já é estudado em diferentes países e vem sendo adaptado a realidades locais. No Tocantins, a aplicação associada à impressão 3D busca reduzir custos de produção e facilitar a manutenção dos equipamentos, ampliando o alcance da tecnologia em regiões com diferentes estruturas de saúde. A iniciativa segue em avaliação técnica contínua.
Fonte: Agência Brasil
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