Novo formato do Sisu eleva notas de corte e amplia disputa em cursos de tecnologia

Novo formato do Sisu eleva notas de corte e amplia disputa em cursos de tecnologia

As inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) terminam nesta quinta-feira, 23 de janeiro. O sistema do Ministério da Educação seleciona candidatos para universidades e institutos federais a partir do desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Durante o período de inscrições, os estudantes acompanham diariamente sua classificação parcial e as notas de corte, que indicam a menor pontuação necessária para ocupar uma vaga. Em 2026, esses números chamam atenção não apenas em medicina, mas também em cursos ligados à tecnologia e à inteligência artificial.

A principal mudança do Sisu neste ano é a possibilidade de o candidato concorrer usando a melhor nota entre as três últimas edições do Enem, referentes a 2023, 2024 e 2025. A medida ampliou o número de participantes aptos a disputar as vagas e, como consequência direta, elevou a concorrência em diferentes áreas. Cursos tecnológicos, que já vinham em trajetória de alta procura, passaram a figurar entre os mais disputados desde os primeiros dias do processo seletivo.

Tecnologia e inteligência artificial no centro da disputa

O curso de Inteligência Artificial está entre os exemplos mais visíveis desse movimento. Desde a abertura das inscrições, aparece como um dos mais buscados no sistema. Fernanda Farber, 22 anos, ingressou na terceira turma de IA da Universidade Federal de Goiás, em 2022, e acompanha de perto o crescimento do interesse. “Desde que eu comecei o curso, começou a se falar cada vez mais sobre inteligência artificial e mais conhecida a graduação ficava”, afirmou.

Para a estudante, a elevação da nota de corte reflete uma demanda real do mercado. Segundo ela, as oportunidades profissionais ajudam a explicar a escolha dos candidatos. “Quando o aluno vai para o mercado de trabalho, independentemente do semestre, ele consegue encontrar muitas vagas”, disse. A avaliação é compartilhada por especialistas em orientação educacional, que veem na tecnologia uma área com forte capacidade de absorção de mão de obra.

De acordo com a mentora de estudos e analista de desempenho para vestibulares do cursinho Máxima Educação, Raphaela Costa, 28 anos, o aumento das notas de corte “já era esperado e tem caráter multifatorial”. “Ao longo do último ano, observamos um crescimento no número de alunos que retomaram o projeto de ingresso no ensino superior, seja pela melhora no desempenho no Enem, maior divulgação das possibilidades oferecidas pelo exame e, consequentemente, pelo Sisu. Soma-se a esse cenário o contexto econômico e o alto custo do ensino privado, que levam mais alunos a disputarem vagas nas universidades públicas”, afirmou.

Concorrência maior exige planejamento do candidato

Raphaela Costa destaca que a possibilidade de usar notas de edições anteriores do Enem reuniu perfis mais diversos de candidatos, incluindo aqueles que acumulam bons resultados ao longo dos anos. Esse fator, segundo ela, intensifica a disputa e muda a dinâmica do processo seletivo. “O Sisu não é apenas uma disputa por nota, mas por estratégia. Alunos bem orientados, que analisam dados de notas de corte, perfil das universidades e possibilidades reais de aprovação, conseguem lidar melhor com um cenário mais competitivo”, orientou.

Na avaliação da mentora, cursos ligados à tecnologia tendem a manter crescimento contínuo nos próximos anos. “Esses cursos têm ganhado cada vez mais destaque por dialogarem diretamente com as transformações do mercado de trabalho e por prometerem permear praticamente todas as áreas profissionais em um futuro muito próximo”, disse. Ela observa que os jovens já identificaram o potencial dessas carreiras, o que explica a elevação expressiva das médias exigidas, em alguns casos próximas às de graduações tradicionalmente concorridas.

Apesar desse avanço, Raphaela pondera que áreas clássicas não perdem espaço automaticamente. Medicina segue como o curso com maiores notas de corte no país e mantém uma demanda histórica. A estudante Maria Paula, 19 anos, candidata a uma vaga em medicina, relata que percebeu o aumento das médias, mas sem surpresa. “Para medicina isso já era esperado. Não achei nada muito fora do comum, mas percebi que outros cursos tiveram um aumento muito grande mesmo”, afirmou.

Maria Paula se inscreveu no Sisu utilizando a nota do Enem mais recente e indicou instituições como a Universidade Federal de Campina Grande e a Universidade Estadual da Paraíba. Para ela, o novo formato do sistema exige atenção redobrada dos candidatos, principalmente na simulação de cenários e na escolha consciente das opções de curso e instituição, diante de um processo cada vez mais competitivo.

Fonte: Correio Braziliense
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/jovem-hispanico-sorrindo-usando-fones-de-ouvido-no-campus-da-universidade_42428912.htm

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