Mercado Pago cria Modo Blindado para reforçar segurança em pagamentos digitais

Mercado Pago cria Modo Blindado para reforçar segurança em pagamentos digitais

O celular se consolidou como carteira digital no Brasil. Pix, pagamentos por aproximação e QR Code viraram rotina em bares, transporte e grandes eventos. Em momentos de multidão, como o Carnaval, essa praticidade convive com um temor cada vez mais presente: o risco de furto ou roubo do aparelho e de acesso às contas financeiras.

Uma pesquisa realizada pelo Mercado Pago ajuda a dimensionar essa sensação. O levantamento indica que 82% das pessoas não se sentem seguras ao levar o celular para grandes eventos, incluindo blocos e festas de Carnaval. A preocupação tem impacto direto no comportamento. Cerca de 26% evitam fazer pagamentos ou transferências na rua e 5% dizem utilizar o chamado “celular do ladrão”, aparelho com aplicativos financeiros sem saldo ou com acesso limitado.

Nesse cenário, o Mercado Pago anunciou uma nova funcionalidade de segurança no aplicativo, chamada Modo Blindado. O recurso foi criado para proteger usuários em situações de maior exposição e já começou a ser liberado para parte da base de clientes. A expectativa é que todos os usuários tenham acesso nos próximos dias.

De acordo com Paulo César Lemes, que atua há mais de duas décadas no setor de franquias e meios de pagamento, além de sócio fundador da Confrapag, a segurança deixou de ser diferencial e virou pilar estratégico nos meios de pagamento. Saiba mais clicando aqui.

Como funciona o Modo Blindado

O Modo Blindado cria uma camada adicional de proteção quando o usuário está fora de locais considerados seguros, como a própria casa ou o ambiente de trabalho. A ferramenta usa dados de geolocalização e redes Wi-Fi para identificar esses lugares previamente cadastrados no aplicativo.

Ao detectar que o usuário saiu dessas zonas de confiança, o sistema ativa automaticamente o modo de proteção. A partir desse momento, o aplicativo passa a ocultar diversas informações financeiras sensíveis.

Entre os dados escondidos estão o saldo da conta, valores guardados em cofrinhos, investimentos, criptomoedas e também informações de contas conectadas por meio do Open Finance. O sistema ainda limita transferências e pagamentos, bloqueando operações acima dos valores definidos pelo próprio usuário.

Outra medida envolve mudanças nos limites de transação. Caso alguém tente alterar esses valores fora dos locais seguros, a modificação só será liberada após um período de oito horas. A regra foi criada para evitar que alterações ocorram sob pressão, em situações de roubo ou sequestro relâmpago.

Após esse intervalo, o aplicativo exige autenticação biométrica adicional antes de permitir qualquer ajuste.

“Nossa pesquisa mostra que boa parte das pessoas evita fazer pagamentos na rua por questões de segurança. E é exatamente aí que queremos atuar”, afirma Ignácio Estivariz, vice-presidente do Mercado Pago Brasil.

Passo a passo para ativar a função

A ativação do Modo Blindado é feita diretamente no aplicativo do Mercado Pago e exige poucos passos.

Primeiro, o usuário deve acessar a área de Segurança e selecionar a opção Modo Blindado. Em seguida, é necessário configurar os lugares considerados seguros e definir os limites máximos para transferências e Pix quando estiver fora dessas zonas.

O processo termina com o reconhecimento facial, etapa que valida a configuração. A partir daí, sempre que o sistema identificar que o usuário deixou os locais cadastrados, o modo de proteção entra em funcionamento automaticamente.

Mudanças no comportamento dos consumidores

Os dados levantados pelo Mercado Pago mostram que a preocupação com segurança já influencia a forma como as pessoas utilizam pagamentos digitais no dia a dia.

Segundo a pesquisa, 93% dos consumidores dizem redobrar a atenção ao realizar pagamentos fora de casa. Outros 20% afirmam que conferem mais de uma vez as informações antes de confirmar uma transação.

Mesmo com a popularização das carteiras digitais, parte da população ainda recorre ao dinheiro em espécie em algumas situações. Cerca de 20% dos entrevistados afirmam preferir notas e moedas quando estão na rua, mesmo em um cenário em que os pagamentos digitais crescem rapidamente.

Ao mesmo tempo, o celular continua no centro da vida financeira. Para o período do Carnaval, 27% das pessoas dizem preferir pagar usando Pix ou QR Code. Outros 26% pretendem utilizar pagamentos por aproximação diretamente no smartphone.

Esse contraste revela um cenário curioso. O uso das tecnologias financeiras cresce, mas a percepção de segurança não acompanha o mesmo ritmo.

Nos últimos anos, instituições financeiras passaram a investir em ferramentas específicas para reduzir esse risco. O Nubank lançou o Modo Rua, que limita operações fora de redes Wi-Fi consideradas seguras. Já o Itaú ampliou recursos de bloqueio, controle de limites e visibilidade de saldos dentro do aplicativo.

Novo seguro para despesas recorrentes

Além do Modo Blindado, o Mercado Pago anunciou que prepara um novo produto voltado à proteção financeira dos usuários. A empresa trabalha no lançamento do chamado seguro despesas.

A proposta é ampliar a ideia de segurança para além da proteção contra roubo do celular. O seguro será voltado para situações de perda de renda ou imprevistos que impeçam o usuário de trabalhar.

Nesses casos, o produto poderá cobrir contas recorrentes pagas pela plataforma, como água, luz e outras despesas domésticas.

“Quanto mais contas você paga dentro do Mercado Pago, mais aumenta a cobertura. Ele serve tanto para quem é empregado formal quanto para quem é informal, freelancer. Basicamente é mais um tipo de segurança financeira e também psicológica”, explica André Chaves, vice-presidente sênior do Mercado Pago Brasil.

O seguro terá mensalidade de R$ 4,99 e deve funcionar como uma camada adicional de proteção para quem utiliza o aplicativo como principal ferramenta de pagamentos.

Com mais de 50 milhões de usuários no Brasil, o Mercado Pago aposta que recursos como o Modo Blindado e o seguro de despesas podem reduzir a sensação de vulnerabilidade. Em um país onde o celular virou carteira e banco ao mesmo tempo, a proteção digital passa a ser parte essencial da experiência financeira.

Fonte: Consumidor Moderno
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