Idosos em São Paulo relatam maior sensação de risco com golpes digitais, aponta estudo

Idosos em São Paulo relatam maior sensação de risco com golpes digitais, aponta estudo

A população com mais de 60 anos no estado de São Paulo demonstra maior sensação de vulnerabilidade diante de golpes online. Segundo levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), divulgado na segunda-feira (16), 68% dos idosos afirmam se sentir expostos a fraudes digitais.

O percentual supera a média estadual, que é de 62%, e também o índice registrado entre jovens de 18 a 29 anos, que ficou em 51%. A diferença reforça a percepção de insegurança mais acentuada entre os mais velhos, mesmo em um cenário em que as tentativas de golpe atingem praticamente toda a população conectada.

A pesquisa foi realizada entre julho e setembro de 2025 e ouviu 14.450 moradores do estado de São Paulo. Para análise, os entrevistados foram distribuídos em quatro grupos etários, de 18 a 29 anos, de 30 a 44 anos, de 45 a 59 anos e 60 anos ou mais.

Os dados indicam que a exposição a tentativas de fraude é ampla. Entre os idosos, 82% relataram já ter sido alvo de mensagens, e-mails ou ligações suspeitas. Apesar do número elevado, ele ainda é inferior à média geral do estado, que alcança 88%.

Na comparação entre faixas etárias, o grupo de 45 a 59 anos apresentou o maior índice de abordagens fraudulentas, com 92%. O resultado sugere que a incidência de tentativas de golpe não está restrita à população idosa, embora a percepção de risco seja mais intensa nesse grupo.

Segundo Irineu Barreto, analista de pesquisas da fundação, a expansão do ambiente digital ampliou o alcance das fraudes. “A digitalização ampliou a exposição de todos os grupos etários. No caso das pessoas de 60+, ainda que a intensidade de uso da internet tende a declinar, há vulnerabilidades específicas, especialmente em golpes que envolvem o uso fraudulento de dados pessoais”, afirma.

Tipos de golpes mais frequentes

O levantamento também detalha os tipos de fraudes que efetivamente atingiram a população. Entre os idosos, a prática mais recorrente envolve a abertura de contas bancárias ou a contratação de empréstimos sem autorização. Esse tipo de ocorrência atinge 12% das pessoas com mais de 60 anos, a maior proporção entre todos os grupos analisados.

O dado chama atenção por indicar que, mesmo com menor frequência de uso da internet, esse público sofre impactos diretos em sua vida financeira. A utilização indevida de dados pessoais aparece como um dos principais vetores dessas fraudes.

Outro ponto analisado foi o comércio eletrônico. No estado, 40% dos entrevistados afirmaram já ter realizado compras online e descoberto posteriormente que a loja ou o vendedor eram inexistentes.

Entre os idosos, esse percentual é menor, 26%. O número, no entanto, não indica necessariamente maior proteção. O estudo aponta que a população com 60 anos ou mais concentra também a maior parcela de pessoas que nunca fizeram compras pela internet.

Essa característica ajuda a explicar a diferença nos índices. A menor participação no comércio eletrônico reduz a exposição a determinados tipos de golpe, mas não elimina outras formas de fraude, especialmente aquelas que utilizam contatos diretos, como telefonemas ou mensagens.

Menor conexão, risco diferente

Os resultados sugerem que a vulnerabilidade não depende apenas da frequência de uso da internet, mas do tipo de interação digital. Enquanto usuários mais ativos enfrentam maior volume de tentativas, os idosos lidam com abordagens que exploram confiança, urgência e desconhecimento de procedimentos digitais.

A combinação entre menor familiaridade com ferramentas online e o uso indevido de informações pessoais cria um cenário específico para essa faixa etária. A sensação de insegurança, captada pelo levantamento, reflete não apenas a quantidade de tentativas, mas o impacto potencial dessas fraudes.

A pesquisa também reforça que o problema é disseminado. Independentemente da idade, a maioria dos moradores do estado já foi alvo de algum tipo de tentativa de golpe virtual. O ambiente digital, mais presente na rotina, ampliou tanto as oportunidades de acesso a serviços quanto os riscos associados.

A versão do estudo foi atualizada após correção de um dado metodológico. Inicialmente, havia sido informado um número menor de entrevistados. O total correto é de 14.450 pessoas ouvidas no estado de São Paulo.

Fonte: Agência Brasil
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/mulher-senior-usando-smartphone-sentado-na-sala-de-estar-em-casa_25609620.htm

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