Acordo Mercosul-China: O que pode refletir no PIB do Brasil?

Acordo Mercosul-China

Acordo Mercosul-China é objeto de estudo do Conselho Empresarial que indica acordo de livre comércio com ganhos para o agronegócio, porém, impactaria a indústria nacional

Um eventual acordo de livre comércio entre o Mercosul (Mercado Comum do Sul) e a China pode trazer ganhos de até 1,43% ao PIB (produto interno bruto) brasileiro até 2035. É o que arevela um estudo do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China) divulgado na semana passada.

Acordo Mercosul-China

A pesquisa projeta aumentos nos investimentos de um possível acordo Mercosul-China, além de salários e índices de comércio exterior no Brasil e nos demais países do bloco. Contudo, o setor mais beneficiado será o agronegócio. Em contrapartida, segmentos da indústria nacional seriam diretamente afetados.

Todavia, sobre a relação de negócios entre Brasil e China, o empresário industrial catarinense Ernesto Heinzelmann, reflete que os dois países viram um no outro o poder do aprendizado e do desenvolvimento, resultando em uma parceria que completou 50 anos em 2024.

Mercosul

O Mercosul é um bloco composto por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Este último ingressou em julho deste ano, mas não integra o estudo. Suspensa desde 2017, a Venezuela também não entra no levantamento.

Além disso, o estudo estima aumento no PIB de todos os países com o eventual acordo, no prazo de 10 anos. Confira abaixo as projeções:

  • Brasil: ganho de 0,9% ou de até 1,43% no PIB;
  • Argentina: 2,58%;
  • Paraguai: 2,18%;
  • Uruguai: 3,49%;
  • China: 0,07%.

Setores nacionais

Por outro lado, o levantamento considera que alguns setores nacionais são mais sensíveis e perderão espaço com a competição chinesa e fim de barreiras protecionistas. Segmentos da indústria nacional como: têxtil, calçados e eletrônicos devem ser os mais prejudicados. Apesar dessas perdas, o CEBC calcula que o PIB brasileiro cresceria pelo menos 0,9%.

Além do ganho no PIB, o estudo projeta aumento de 7,2% nos investimentos no Brasil, de 7% nas exportações e um incremento de US$ 1,2 bilhão na balança comercial brasileira.

Agronegócio

Por sua vez, a estimativa é que o agronegócio brasileiro tenha um ganho total de produção de US$ 14,6 bilhões. Os mais beneficiados devem ser os produtores de carnes suína e de aves, o que corresponde a US$ 5 bilhões (ou uma ampliação de 15,7%). Já a indústria de transformação deve registrar perdas de US$ 6,7 bilhões.

Como foi feito o estudo

O estudo do CEBC foi feito por técnicos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com financiamento parcial da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Um representante do Ipea disse que esses ganhos macroeconômicos nos próximos 10 anos seriam possíveis por três choques que um acordo de livre comércio pode resultar. São eles:

  • tarifas de importação: redução a zero ao longo de 10 anos;
  • barreiras técnicas: diminuição diferenciada para cada setor, que resulte num tarifário das medidas técnicas para que caia para 10% em 10 anos;
  • barreiras que não são técnicas (como quotas e licenças): redução de 90%, feita de modo gradual e uniforme ao longo de 10 anos.

Por fim, um acordo entre o Mercosul e China é apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por outros líderes do bloco. Porém, não há hoje nenhuma previsão de quando será assinado ou mesmo garantia de que será celebrado, mas o principal objetivo é a redução das barreiras comerciais.

Fonte: Foto de vsr3168 na Freepik

Outras postagens

Postagens relacionadas

Últimas postagens

Tela LTPO+ pode mudar cadeia de fornecedores do iPhone 18 Pro

Rumores apontam avanço tecnológico nos painéis OLED, impacto direto na bateria e possível saída de fabricante chinesa da linha Pro

Robôs com inteligência artificial passam a integrar o controle do trânsito em cidades chinesas

Humanoides conhecidos como Robocop já auxiliam a organização das ruas, identificam infrações e reduzem a carga de trabalho da polícia em grandes centros urbanos

Linus Torvalds vê inteligência artificial como apoio ao código, não como substituta do programador

Criador do Linux relata experimento pessoal com IA generativa, adota prática conhecida como vibe coding e reforça que o kernel permanece fora desse tipo de abordagem