As criptomoedas estão ganhando espaço entre os brasileiros e já aparecem à frente das ações como modalidade de investimento. A 2ª edição da Pesquisa Nacional das Criptomoedas, realizada pela Paradigma em parceria com o Datafolha, aponta que 17,2% da população com mais de 16 anos afirma ter ou já ter tido dinheiro em criptoativos.
O percentual também supera o registrado para CDBs e títulos públicos, que somam 15,1%. As ações foram citadas por 7,4% dos entrevistados. Mesmo com o avanço, os ativos digitais ainda ficam atrás de alternativas como poupança, imóveis e fundos de investimento.
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Conhecimento sobre criptomoedas cresce
A pesquisa indica que 66,4% dos brasileiros afirmam conhecer criptomoedas. O índice representa aumento de 10,1 pontos percentuais em relação a 2025, quando foi realizada a primeira edição do levantamento.
O estudo foi conduzido presencialmente entre 11 e 14 de maio de 2026. Foram entrevistadas 2.004 pessoas em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Entre as opções analisadas, a poupança continua sendo a mais presente na vida financeira dos entrevistados. Segundo o levantamento, 57,1% já tiveram dinheiro na caderneta. Os imóveis aparecem com 34%, seguidos pelo dinheiro mantido em espécie, com 30,5%, e pelos fundos de investimento, com 26,1%.
Dólar ou outras moedas foram mencionados por 14% dos participantes, enquanto 9,8% disseram já ter investido em ouro. As criptomoedas, portanto, ocupam uma posição intermediária entre os diferentes tipos de ativos avaliados.
Aplicativos bancários são principal canal
O levantamento também mostra como os brasileiros realizam operações com criptomoedas. Entre as pessoas que já investiram nesses ativos, 83% utilizaram o aplicativo do banco para fazer a operação.
As corretoras especializadas em criptoativos tiveram participação menor. Apenas 20% dos entrevistados que já investiram em criptomoedas disseram ter usado esse tipo de plataforma.
O resultado indica a presença dos ativos digitais em canais financeiros já conhecidos pelos consumidores. Ao mesmo tempo, a diferença entre os meios utilizados mostra que as corretoras especializadas ainda não são o principal caminho para quem entra nesse mercado.
Bitcoin lidera conhecimento
O Bitcoin é o criptoativo mais conhecido pelos brasileiros, citado por 60,7% dos entrevistados. O Ethereum aparece em seguida, com 11,1%. De acordo com dados da plataforma CoinMarketCap mencionados na pesquisa, os dois ativos correspondem a 69% da capitalização do mercado de criptomoedas.
A capitalização considera o preço dos ativos e a quantidade de unidades em circulação. O Drex, projeto de moeda digital do Banco Central, aparece na terceira posição entre os ativos mais conhecidos, com 10,3%.
Perfil dos investidores
A pesquisa também aponta que a presença das criptomoedas não está limitada aos brasileiros com maior renda. Entre aqueles que já investiram em criptoativos, 77,6% recebem até três salários mínimos. Considerando os entrevistados com renda de até cinco salários mínimos, o percentual chega a 89,4%.
O nível de escolaridade apresenta diferenças mais marcantes no conhecimento sobre os ativos. Entre os brasileiros com ensino superior, 89,7% afirmam conhecer criptomoedas. A proporção cai para 76% entre pessoas com ensino médio e chega a 38% entre aquelas com ensino fundamental.
Os dados mostram que o conhecimento sobre o mercado digital avançou, mas permanece desigual entre os diferentes grupos da população. A experiência de investimento também representa uma parcela menor do público que declara conhecer os ativos.
Mercado passa por regulamentação
A expansão das criptomoedas ocorre em meio ao crescimento das operações no país. Segundo dados da Receita Federal, foram movimentados R$ 505,5 bilhões em criptoativos durante 2025.
Desde fevereiro de 2026, o Banco Central passou a regulamentar as prestadoras de serviços de ativos virtuais. As exigências incluem capital mínimo, segregação patrimonial e supervisão das empresas que atuam no segmento.
A regulamentação tem como objetivo aumentar a segurança e a estabilidade do mercado de criptoativos. Participantes do setor avaliam que as novas regras podem contribuir para ampliar o uso desses ativos entre os brasileiros, enquanto o avanço do conhecimento sobre o tema amplia o público familiarizado com esse mercado no mercado nacional.
Fonte: Folha de São Paulo
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