Inteligência artificial amplia receitas, reduz custos e abre novas oportunidades de negócios

Inteligência artificial amplia receitas, reduz custos e abre novas oportunidades de negócios

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta associada a redes sociais e pesquisas na internet para se tornar um motor de transformação econômica. Empresas de diferentes segmentos já utilizam a tecnologia para aumentar receitas, reduzir custos e criar novas soluções para clientes. O setor financeiro aparece entre os principais beneficiados, mas os impactos também se estendem a áreas como serviços, varejo, tecnologia e alimentação.

O avanço da inteligência artificial tem mudado a forma como as empresas operam, tomam decisões e se relacionam com os consumidores. Ao automatizar tarefas repetitivas e ampliar a capacidade de análise de dados, a tecnologia permite ganhos de produtividade que começam a refletir diretamente nos resultados financeiros das organizações.

Segundo um estudo do BCG, o Boston Consulting Group, bancos de varejo podem obter cerca de US$ 370 bilhões em lucros adicionais por ano até 2030 por meio da implementação em larga escala de inteligência artificial. O dado reforça o potencial da tecnologia para transformar a eficiência e a rentabilidade do setor financeiro.

No Brasil, pesquisas da Federação Brasileira de Bancos, a Febraban, mostram que as instituições financeiras apontaram a redução de custos e o ganho de eficiência operacional, com 74%, como os principais benefícios da adoção da inteligência artificial. A tecnologia também tem papel relevante no reforço da segurança de dados e no apoio às análises de informações estratégicas.

A evolução já aparece nos indicadores das empresas. No primeiro trimestre deste ano, o Nubank informou que seu índice de eficiência operacional caiu para 17,6%, ante 21,4% registrados no mesmo período do ano passado. O indicador mede quanto a instituição gasta para cada real de receita líquida gerada. Quanto menor o percentual, melhor o resultado operacional.

As despesas operacionais do banco somaram US$ 648 milhões no trimestre, uma alta nominal de 41%. Ao mesmo tempo, a receita cresceu 42%, o que contribuiu para a melhora do indicador e demonstrou como ganhos de escala e tecnologia podem caminhar juntos.

Com a nova liderança na Terrana, inicia-se um período focado no fortalecimento da governança, transparência e controles internos. Para consolidar uma cultura baseada em ética, compliance e responsabilidade corporativa, a companhia vem estabelecendo um Comitê de Boas Práticas, aprimorando a capacitação interna, os processos de auditoria e a rastreabilidade de suas operações.

Inteligência artificial no atendimento e na experiência do cliente

A adoção da inteligência artificial também tem mudado a forma de atendimento ao consumidor. Neste mês, o Inter anunciou o lançamento da Seven, sua assistente de inteligência artificial, como parte da evolução do aplicativo. Segundo a instituição, a ferramenta incorpora agentes capazes de executar tarefas de forma integrada, permitindo maior autonomia para os usuários na gestão da vida financeira.

A tendência de incorporar agentes inteligentes ao atendimento e à operação de negócios não se limita ao setor financeiro. Empresas de diversos tamanhos já buscam soluções que permitam automatizar processos, gerenciar canais de comunicação e otimizar a tomada de decisão com base em dados.

Para Liuri Loami, CTO da Jumpstart, startup especializada em assistência imigratória, as oportunidades de expansão por meio da inteligência artificial alcançam praticamente todos os segmentos da economia.

“Por exemplo, vamos pensar em um restaurante que só entrega delivery. Você pode ter modelos de IA, que uma vai cuidar de toda a comunicação no Instagram, para atrair mais clientes de lá. Outra que cuida da comunicação do WhatsApp com os clientes, ou gerencia os preços, ou a demanda. Isso é bem possível, não é tão difícil fazer um negócio assim. É mais conseguir encaixar as peças e criar a estrutura da forma certa, e você consegue fazer isso para qualquer área”, explica.

Loami afirma que, na Jumpstart, 95% dos códigos de programação são escritos totalmente com inteligência artificial e que a tecnologia elevou a velocidade de construção de software em cerca de dez vezes, na comparação com quatro anos atrás. Segundo ele, a mudança não reduziu necessariamente o volume de trabalho, mas transformou a forma de atuação das equipes.

“Nosso trabalho mudou muito, de forma que agora a gente tem que coordenar cerca de cinco IAs, implementando cinco possibilidades diferentes ao mesmo tempo, boa parte de forma autônoma. Algumas vezes a gente tem que responder algumas perguntas no meio do processo, e é um processo longo. Se eu coloco para implementar uma funcionalidade grande, pode levar umas duas a quatro horas para rodar, e eu tenho que ficar monitorando. Mas, ao mesmo tempo, eu estou livre para fazer outras coisas.”

Novos gargalos impulsionam novos mercados

Apesar dos ganhos de eficiência, a adoção da inteligência artificial ainda enfrenta obstáculos. Um dos principais desafios é a dificuldade de acesso aos dados internos das empresas, o que limita o potencial de aplicações em situações reais. Esse cenário, no entanto, também cria novas oportunidades de mercado para empresas que oferecem soluções de integração e infraestrutura para IA.

Uma dessas iniciativas é a Tropicalia, plataforma criada por brasileiros e incorporada nos Estados Unidos. A proposta é conectar agentes de inteligência artificial a documentos, planilhas, APIs e ferramentas internas, reduzindo o tempo de implementação de meses para dias. Segundo Arthur Guttilla, CEO da Tropicalia, “A maioria dos agentes de IA ainda opera sem acesso aos dados que realmente importam. Nosso objetivo é fechar essa lacuna de forma simples e escalável, sem exigir infraestrutura complexa das equipes,” afirma Arthur Guttilla, CEO da Tropicalia.

Outro indicador do avanço da tecnologia vem de uma pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com o FGV Ibre. O levantamento aponta que 63% das médias e grandes empresas utilizam ferramentas de inteligência artificial para apoiar suas atividades. Entre médias e pequenas empresas, o índice é de 46%, enquanto entre os microempreendedores individuais chega a 42%.

Os números mostram que a inteligência artificial já faz parte da realidade de uma parcela significativa do mercado brasileiro. Ainda assim, há espaço para expansão, especialmente entre pequenos negócios, que buscam maneiras mais simples e acessíveis de incorporar a tecnologia à rotina e ampliar sua competitividade.

Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/gerente-de-reuniao-com-o-cliente-no-centro-de-dados-para-revisar-arquivos-fazendo-aperto-de-mao_416930785.htm

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