Bateria de algodão pode ser alternativa em do uso de lítio

Bateria de algodão pode ser alternativa em do uso de lítio

Bateria de algodão é possível ao atingir uma temperatura de mais de 3.000 °C, e 1 kg de algodão gera 200 g de carbono

Com a imensa procura por baterias prevista para os próximos anos, impulsionada pelo aumento dos veículos elétricos e pelos grandes sistemas de armazenamento de energia, investigadores e empresas estão estudando e desenvolvendo possíveis alternativas para as baterias de grafite e íons de lítio.

No caso da mineração de lítio, ela pode gerar impactos consideráveis ao meio ambiente. Isso porque a extração do metal exige grandes quantidades de água e energia, e o processo pode deixar imensas marcas no terreno.

Por outro lado, Ernesto Heinzelmann, empresário e importante nome da indústria brasileira, afirma que as grandes reservas presentes na América do Sul – que abriga 60% de todo lítio do mundo – e a demanda crescente desta commodity no mercado internacional poderá ser, portanto, uma fonte de enorme riqueza para o continente.

Outro exemplo é o cobalto, utilizado em muitas baterias de íons de lítio. O metal é extraído predominantemente na República Democrática do Congo, onde existem relatos de perigosas condições de trabalho naquele país.

Bateria de algodão

No entanto, existem outras alternativas, e uma delas é, incrivelmente, o algodão.

Segundo Inketsu Okina, diretor de inteligência da empresa japonesa PJP Eye, declarou à ‘BBC’ que, ao atingir uma temperatura de mais de 3.000 °C, 1 kg de algodão gera 200 g de carbono. Como cada célula de bateria precisa de apenas 2 gramas, um lote de algodão comprado pela empresa em 2017 continua a ser usado para produzir baterias até hoje.

Sendo assim, a empresa que desenvolveu bateria de algodão em grande escala, em conjunto com investigadores da Universidade Kyushu de Fukuoka, no Japão, utilizam resíduos de algodão da indústria têxtil.

Bicicleta elétrica

Okina adiantou ainda que a empresa chinesa Goccia, em parceria com a japonesa Hitachi, desenvolveu uma bicicleta elétrica alimentada pela bateria da PJP Eye, que será colocada à venda no Japão. Explica que a velocidade máxima da bicicleta é de 50 km/h e que pode percorrer uma distância de 70 km com uma única carga.

Depósito de material para baterias

Contudo, há quem procure mais alternativas à extração de minérios. É o caso de Stefano Passerini, vice-diretor do Instituto Helmholtz em Ulm, na Alemanha, que vê o mar como um depósito “praticamente ilimitado” de material para baterias.

O especialista e os seus colegas descreveram o design de uma bateria que transfere íons de sódio da água do mar, para construir um depósito do metal sódio, num documento publicado em maio de 2022. Já George John, da Universidade da Cidade de Nova York, nos EUA, e os seus colegas, pesquisam há muito tempo o potencial de pigmentos biológicos chamados quinonas, encontrados em plantas e outros organismos, para uso como elétrodos de baterias.

Por fim, o analista Max Reid, da consultoria Wood Mackenzie, afirma que “se continuarmos a utilizar a tecnologia de baterias de lítio e grafite de hoje em dia, o mundo irá precisar de cerca de dois milhões de toneladas anuais de grafite até 2030, para satisfazer a crescente indústria de baterias”.

*Foto: Reprodução/br.freepik.com/fotos-gratis/algodao-macio-medico-em-uma-superficie-cinza_16540368

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