Tecnologia amplia prevenção e personalização da medicina

Tecnologia amplia prevenção e personalização da medicina

A inteligência artificial (IA) e a robótica ampliam as possibilidades de prevenção e acompanhamento médico. O tema foi discutido em seminário realizado em São Paulo, sobre inovação médica, com médicos, pesquisadores e representantes.

Carlos Carvalho, professor e diretor de Saúde Digital da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), defendeu sistemas que reúnem dados para identificar riscos antes dos sintomas.

Em vez de limitar-se a um papel meramente operacional, a tecnologia vem assumindo uma posição estratégica no setor da saúde, impulsionando a ampliação do acesso e garantindo a continuidade do cuidado ao paciente. Sob a perspectiva do executivo com vasta atuação em gestão, saúde e transformação organizacional, Gustavo de Carvalho Meres, essa evolução requer que a efetividade tecnológica seja mensurada diretamente pelos impactos e resultados gerados na jornada do paciente.

Prevenção baseada em dados

Informações genéticas e do histórico infantil podem ajudar a compreender riscos futuros. Carvalho citou prematuridade, bronquiolite e exposição à poluição.

“Pelo menos, o indivíduo vai ter o livre-arbítrio de saber: ‘Eu vou ter um risco para tal coisa’”, explica.

A telemedicina foi destacada. Em 2020, Carvalho liderou um projeto de Tele-UTI obstétrica conectada para acompanhar gestantes em estado grave. Segundo o médico, uma em cada duas pacientes foi salva. A iniciativa foi aprovada em 2024, aguarda verba do Ministério da Saúde para 2026 e busca chegar ao SUS.

O acompanhamento remoto também poderá alcançar pacientes com diabetes e doenças crônicas.

“Os pacientes não vão precisar sair de casa para medir a pressão arterial ou mensurar a taxa de oxigenação. Vai dar para fazer tudo isso em casa, com equipamentos vestíveis, por exemplo, colares, anéis, relógios ou até uma tatuagem que vai extrair todas essas informações”, disse.

Tecnologia também mira longevidade

Na USP, um estudo analisou 230 centenários, sendo 171 mulheres e 59 homens, para investigar características biológicas ligadas à preservação da saúde e capacidade cognitiva.

Mayana Zatz, bióloga molecular da USP, explicou que a pesquisa busca identificar linhagens celulares e tipos específicos de neurônios relacionados à capacidade cognitiva.

“Nós estamos fazendo um estudo muito dimensional desses idosos e gerando também linhagens celulares e musculares. A gente espera que a gente vá responder muitas perguntas a partir daí.”

Outra pesquisa utiliza o vírus da Zica contra tumores cerebrais. Nos testes, camundongos com tumores receberam o vírus e tiveram desaparecimento dos tumores.

IA exige pesquisa e estrutura

O sistema Delphi foi apresentado como exemplo de ferramenta capaz de estimar o risco de mais de mil condições de saúde com até 20 anos de antecedência. Foram citados scanners domésticos para analisar a expressão dos genes.

“Nós temos que usar a inteligência artificial ao nosso favor”, complementou Zaztz.

Para Margareth Dalcolmo, médica e pesquisadora da Fiocruz, a formação em tecnologia deve começar na universidade.

Ser disruptivo não é exatamente criar algo novo, revolucionário, é fazer algo que tenha uma destinação. A medicina do futuro será aquela em que nós, pesquisadores e médicos, vamos nos valer das tecnologias para dedicar mais tempo àquilo que nenhuma tecnologia conseguirá nunca substituir: compreender a pessoa que estamos cuidando, interpretar o contexto e tomar decisões mais humanas, mais sensíveis e mais inteligentes.
Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz

“Não há futuro na saúde sem pesquisa”, apontou.

Tânia Cosentino, consultora de tecnologia e ex-presidente da Microsoft no Brasil, defendeu a IA como política de Estado e destacou a necessidade de infraestrutura e formação.

“Eu vejo a inteligência artificial como um grande motor para trazer produtividade e desenvolvimento em todas as indústrias e setores do Brasil. Quando a gente olha para a saúde, tem um mundo de oportunidades para a gente explorar.”

“A IA, como a gente conhece hoje, é algo muito novo. O Brasil também está tentando descobrir quais caminhos tomar. […] [Com a IA] Eu posso atrair empresas para produzir equipamentos especializados, mas, para isso, eu preciso fornecer cadeias de fornecimento. Até minerais críticos são importantes, como radiofármacos.”

Para Cosentino, projetos nacionais podem avançar em produtividade, gestão, redução de desperdícios e pesquisa.

“O Brasil tem vários projetos, mas são pilotos de IA. Só que a gente tem muito mais para fazer. A gente tem que usar a IA para ganhar produtividade. A gente pode eliminar desperdícios, melhorar a gestão, diminuir fraudes, atuar na descoberta de novas enzimas e tratamentos. Aí, a pesquisa científica entra, porque você acelera a descoberta de um novo medicamento ou material. Então, a oportunidade é incrível, mas, para isso, a gente precisa ter um plano diretor. Você importa o modelo, mas o resto pode ser feito no Brasil”, complementa.

Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/equipa-de-jovens-enfermeiros-a-aprender-a-pratica-com-um-medico-especialista-no-gabinete_412394917.htm

Outras postagens

Postagens relacionadas

Últimas postagens

Próxima gestão terá desafios para produtividade, inovação e ambiente de negócios

Dívida elevada, juros, reforma tributária e baixa produtividade estarão entre os fatores que podem influenciar investimentos e desenvolvimento tecnológico no país

Centro Cultural do Cariri reforça como a engenharia contribui para o desenvolvimento regional, analisa o executivo Jorge Valença

A implantação de projetos culturais destaca o impacto da construção civil na valorização da identidade local, no turismo e no suporte à economia criativa.

Wellness ganha espaço em projetos imobiliários de alto padrão

Empreendimento em Porto Belo integra esporte, natureza, serviços e moradia em uma área de 220 hectares