Segurança deixa de ser diferencial e vira pilar estratégico nos meios de pagamento, aponta Paulo César Lemes

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A segurança deixou de ser um atributo competitivo e passou a integrar a estrutura central das empresas de meios de pagamento no Brasil. O avanço das fraudes digitais, a ampliação do uso de transferências instantâneas e a sofisticação dos ataques exigem investimentos contínuos em prevenção, monitoramento e governança. Para o especialista Paulo César Lemes, a proteção de dados e transações tornou-se condição para permanência no mercado.

Formado em Administração e com especializações pela Fundação Getulio Vargas e MBA pela Harvard University, Lemes atua há mais de duas décadas no setor de franquias e meios de pagamento. Ele é sócio fundador da Confrapag, consultoria que estrutura operações e marcas no segmento. Segundo o especialista, a evolução das ameaças digitais alterou a lógica de competitividade do setor.

“A empresa que trata segurança como complemento perde eficiência operacional e confiança do mercado”, afirma Lemes. De acordo com ele, a prevenção passou a influenciar custos, reputação e expansão comercial das operações de pagamento.

Aumento de fraudes pressiona o setor

O crescimento das fraudes associadas a transferências instantâneas e a engenharia social tem impulsionado medidas de proteção e campanhas de conscientização. O Banco Central do Brasil, por exemplo, já intensificou ações para difundir mecanismos de segurança e orientar usuários sobre práticas preventivas.

Dados reunidos por entidades do sistema financeiro indicam que golpes com manipulação psicológica e acesso indevido a contas figuram entre as principais ocorrências. A FEBRABAN aponta que o setor tem ampliado investimentos em autenticação multifator, análise comportamental e monitoramento em tempo real para mitigar riscos operacionais e proteger clientes.

Para Lemes, o movimento reflete uma mudança estrutural. “O modelo de negócios dos meios de pagamento passou a incorporar segurança desde o desenho do produto até a governança da operação”, diz. Segundo ele, a gestão de risco deixou de ser departamento isolado e passou a influenciar decisões estratégicas.

Tecnologia e governança como eixo de competitividade

Estudos do setor indicam que a adoção de tecnologias de detecção de fraude e autenticação avançada tornou-se requisito para operar em larga escala. 

Lemes afirma que a transformação envolve processos internos e cultura organizacional. “Não se trata apenas de tecnologia. É governança, treinamento de equipes e integração entre áreas de compliance, produto e atendimento”, declara.

Segundo ele, empresas que estruturam protocolos preventivos reduzem perdas financeiras e custos operacionais associados a disputas e reembolsos. “O investimento em prevenção impacta diretamente a sustentabilidade do negócio”, acrescenta.

Regulação e confiança do usuário

O fortalecimento das regras de segurança acompanha a expansão dos pagamentos digitais no país. Normas operacionais e recomendações regulatórias têm estimulado padronização de procedimentos e mecanismos de proteção ao consumidor.

Para Lemes, a confiança do usuário depende da percepção de controle e transparência. “A experiência do cliente está vinculada à segurança. Quando há falhas, o impacto ultrapassa a transação e atinge a marca”, afirma.

O especialista observa ainda que o ambiente competitivo pressiona empresas a demonstrar capacidade de resposta a incidentes. “A governança de segurança passou a ser elemento de avaliação por parceiros, investidores e reguladores”, diz.

Estrutura organizacional e mercado

A integração da segurança à estratégia empresarial também altera a estrutura das companhias do setor. Lemes afirma que áreas de risco, compliance e tecnologia ganharam protagonismo nas decisões corporativas.

Na avaliação de Paulo Lemes, empresas que atuam com franquias ou modelos distribuídos enfrentam desafios adicionais. “Operações descentralizadas exigem padronização rigorosa de processos e supervisão permanente”, afirma.

Ele acrescenta que o desenvolvimento de marcas e plataformas próprias demanda planejamento desde a concepção do produto. “O desenho da operação precisa considerar prevenção desde o início, não como correção posterior”, declara.

Tendência de consolidação

O especialista avalia que o setor deve manter ritmo elevado de investimentos em segurança diante do avanço dos pagamentos digitais. Segundo ele, a tendência é de consolidação de práticas e integração de soluções tecnológicas com políticas de governança.

“A segurança deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico para competir”, afirma. Para ele, a sustentabilidade das operações de pagamento dependerá da capacidade das empresas de antecipar riscos e estruturar mecanismos permanentes de proteção.

O avanço das transações digitais e a ampliação do acesso a serviços financeiros indicam que o tema permanecerá central na agenda do setor. Na avaliação do especialista, a competitividade das empresas estará cada vez mais associada à eficiência de seus sistemas de prevenção e resposta a incidentes.

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