Apesar da tensão crescente no Oriente Médio e do impacto global no mercado de petróleo, a Petrobras afirmou que o Brasil não corre risco de desabastecimento. A empresa declarou que suas operações seguem estáveis e com preços competitivos, graças a rotas de importação fora da zona afetada pelo conflito.
“Os fluxos de importação da Petrobras são majoritariamente fora da região de crise e as poucas rotas que existem podem ser redirecionadas”, comunicou a estatal por meio de nota oficial. A companhia garantiu que, até o momento, não há previsão de interrupções nas importações nem nas exportações de petróleo e derivados.
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Pressão sobre os preços
Apesar da sinalização de segurança por parte da Petrobras, o setor de combustíveis prevê que a guerra pode influenciar os preços internos nos próximos dias. Para o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, o cenário internacional tende a gerar pressão sobre os valores praticados pelas refinarias, ainda que a estatal adote cautela.
“Entendo que a Petrobras deve esperar a poeira assentar antes de tomar qualquer decisão, mas o movimento de alta já é esperado nas refinarias privadas”, afirmou Araújo.
A possível elevação dos preços está diretamente ligada ao agravamento do conflito na região do Estreito de Ormuz, onde passa aproximadamente 20% do petróleo comercializado no mundo.
Bloqueio em rota estratégica
Na segunda-feira (2), o governo do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, em reação à morte do aiatolá Ali Khamenei. Autoridades iranianas também ameaçaram incendiar navios que tentarem cruzar a passagem. A medida representa um ponto crítico para o fornecimento global, já que o estreito conecta grandes exportadores como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos ao mercado internacional, via Golfo de Omã e Mar Arábico.
Embora o anúncio tenha preocupado agentes do mercado, Araújo pondera que a alta de preços já vinha sendo antecipada pelas bolsas. “Acho que a ameaça de bombardear navios não vai causar um novo aumento agora, já está precificado”, avaliou. Para ele, o conflito pode durar semanas ou até meses, mantendo o preço do barril de petróleo em torno de US$ 80, acima dos patamares vistos nos últimos anos.
Alta nas cotações internacionais
Os reflexos da crise já aparecem nas cotações do petróleo. Em poucos dias, o valor da commodity subiu cerca de 13%, ultrapassando US$ 82 por barril — o maior índice registrado desde janeiro de 2025.
Em nota oficial, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) alertou para os possíveis desdobramentos do conflito sobre o mercado global. “O fechamento do Estreito de Ormuz pode trazer impactos ao mercado de óleo e gás, com alteração do patamar de preços do petróleo e do gás natural”, destacou o instituto.
O IBP também ressaltou os riscos de bloqueios ou ataques à infraestrutura na região. Segundo a entidade, tais eventos podem afetar principalmente as economias da Ásia, como China, Índia e Japão, que dependem fortemente do petróleo importado do Oriente Médio.
Brasil como fornecedor estratégico
Nesse contexto de instabilidade, o Brasil é apontado como uma alternativa relevante para suprir parte da demanda global. O país ocupa atualmente a nona posição entre os maiores exportadores de petróleo e tem ampliado sua produção. De acordo com o IBP, 67% das exportações brasileiras da commodity já são direcionadas para o mercado asiático.
O instituto também reforça que o Brasil oferece petróleo de alta qualidade, com baixo teor de enxofre e menores emissões de carbono, além de operar em um ambiente de negócios considerado estável.
Enquanto a Petrobras mantém sua estratégia de importação voltada para rotas menos expostas ao conflito, o setor nacional acompanha com atenção a evolução do cenário. Com os preços internacionais em alta e a instabilidade persistente no Oriente Médio, analistas avaliam que o país terá de lidar com impactos indiretos, principalmente sobre o custo dos combustíveis.
A política de preços da Petrobras, que considera as cotações do petróleo no exterior e o câmbio, pode ser pressionada, ainda que a estatal tenha sinalizado que por ora não haverá alterações. A decisão de repassar ou não os aumentos ao consumidor final deve depender do desenrolar da crise e da estratégia adotada pela companhia nos próximos dias.
Fonte: G1
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