OMS prevê uso de inteligência artificial para identificar ameaças de pandemias em 24 horas

OMS prevê uso de inteligência artificial para identificar ameaças de pandemias em 24 horas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma nova estratégia para ampliar a capacidade global de detectar e avaliar ameaças à saúde. A meta é que, até 2030, todos os países consigam identificar e analisar possíveis riscos sanitários em até 24 horas após seu surgimento, com apoio de tecnologias digitais e redes internacionais de especialistas.

A iniciativa busca fortalecer a preparação para emergências sanitárias e permitir intervenções mais rápidas diante de agentes capazes de provocar surtos. A identificação precoce de ameaças pode contribuir para conter a transmissão de doenças e reduzir o risco de que episódios localizados evoluam para epidemias de maior alcance.

O plano prevê o uso integrado de inteligência artificial (IA), sequenciamento genético e mecanismos de cooperação científica. A proposta é oferecer aos países recursos para reconhecer sinais de alerta, compreender as características de novos agentes infecciosos e organizar respostas de acordo com os riscos identificados.

Tecnologia amplia a vigilância epidemiológica

A estratégia da OMS considera que a capacidade de resposta depende não apenas da identificação de uma ameaça, mas também da rapidez com que as informações são analisadas e compartilhadas. Nesse processo, ferramentas tecnológicas podem auxiliar profissionais e autoridades sanitárias a interpretar dados e reconhecer padrões relevantes para a vigilância epidemiológica.

O sequenciamento genético permite examinar o material genético de patógenos, contribuindo para a identificação de agentes infecciosos e para a compreensão de suas características. Já a inteligência artificial pode apoiar a análise de grandes volumes de informações, desde que os sistemas utilizados sejam adequados e os resultados passem por avaliação especializada.

A articulação entre essas ferramentas e equipes científicas também integra o planejamento. A possibilidade de mobilizar especialistas rapidamente pretende facilitar a avaliação de ameaças emergentes e apoiar decisões em diferentes regiões, sobretudo quando uma ocorrência exige conhecimento técnico específico.

A iniciativa parte do entendimento de que a preparação para emergências sanitárias exige infraestrutura, profissionais capacitados e mecanismos de cooperação. O acesso às tecnologias, portanto, precisa estar associado à capacidade de transformar informações em medidas de prevenção e resposta.

Compartilhamento de dados entre países

Outro componente da estratégia é a Iniciativa de Vigilância Colaborativa, que está sendo implementada em mais de 83 países. A proposta busca fortalecer a cooperação entre sistemas de saúde e ampliar a capacidade de acompanhar riscos sanitários por meio da troca de informações e da integração de conhecimentos.

A OMS também prevê um novo programa voltado ao desenvolvimento de sistemas digitais seguros para o compartilhamento de dados entre países e parceiros. A iniciativa pretende facilitar a circulação de informações relevantes para a detecção de ameaças, respeitando a necessidade de estruturas adequadas para o intercâmbio de dados.

A cooperação internacional tem importância particular quando um risco sanitário ultrapassa fronteiras. Informações obtidas em diferentes territórios podem ajudar a compreender a evolução de um agente infeccioso e orientar medidas preventivas antes que a transmissão alcance outras populações.

A criação de mecanismos digitais para essa finalidade também coloca em evidência questões relacionadas à segurança da informação, à compatibilidade entre sistemas e à capacidade técnica dos participantes. Para que os recursos funcionem de maneira coordenada, os países precisam contar com estruturas que permitam coletar, analisar e transmitir dados com agilidade.

Centro criado após a pandemia de covid-19

O Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias da OMS foi criado em 2021, com apoio do governo da Alemanha. Sua implantação ocorreu em resposta às lacunas identificadas durante a pandemia de covid-19, que evidenciou dificuldades na detecção de ameaças e na coordenação internacional de respostas sanitárias.

Desde sua criação, o Centro concentra esforços na identificação de novas ameaças epidêmicas, no sequenciamento e reconhecimento de patógenos e no apoio a ações rápidas para proteger comunidades em diferentes partes do mundo.

A nova estratégia amplia essa agenda ao estabelecer uma meta temporal para a detecção e a avaliação de riscos. O prazo de 24 horas representa o objetivo definido para 2030, mas seu alcance depende da capacidade de cada país de desenvolver recursos técnicos, integrar informações e organizar procedimentos de resposta.

Inovação precisa produzir resultados na assistência

A expansão dessas iniciativas acompanha uma transformação mais ampla na área da saúde, na qual a tecnologia passou a influenciar decisões estratégicas, além de apoiar atividades operacionais. Sistemas digitais e ferramentas de análise podem contribuir tanto para a vigilância epidemiológica quanto para a organização dos serviços e a continuidade do atendimento aos pacientes.

Para Gustavo de Carvalho Meres, especialista em gestão e transformação organizacional, a adoção de soluções tecnológicas deve ser analisada a partir dos efeitos concretos que produz na jornada do paciente. A avaliação precisa considerar se os recursos contribuem efetivamente para melhorar os processos de atendimento e os resultados da assistência, em vez de se limitar à implantação de novas ferramentas.

No campo da preparação para pandemias, essa perspectiva reforça a importância de relacionar inovação, capacidade de resposta e proteção da população. A tecnologia pode acelerar a identificação de ameaças, mas sua contribuição depende da integração com profissionais, instituições e protocolos capazes de transformar dados em decisões.

Com a meta estabelecida para 2030, a OMS busca ampliar a preparação internacional diante de novos riscos sanitários. O desafio será converter os avanços tecnológicos e a cooperação entre países em capacidades efetivas de detecção, avaliação e resposta a emergências de saúde.

Fonte: Agência Brasil 
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/close-up-de-globo-com-estetoscopio-contra-azul-fundo_3156458.htm

Outras postagens

Postagens relacionadas

Últimas postagens

Tecnologia amplia prevenção e personalização da medicina

Inteligência artificial, genética, telemedicina e dispositivos vestíveis entram no debate sobre prevenção

Próxima gestão terá desafios para produtividade, inovação e ambiente de negócios

Dívida elevada, juros, reforma tributária e baixa produtividade estarão entre os fatores que podem influenciar investimentos e desenvolvimento tecnológico no país

Centro Cultural do Cariri reforça como a engenharia contribui para o desenvolvimento regional, analisa o executivo Jorge Valença

A implantação de projetos culturais destaca o impacto da construção civil na valorização da identidade local, no turismo e no suporte à economia criativa.